domingo, novembro 05, 2006

Referendo ao Aborto - Um voto de consciência

Estamos cada vez mais próximos do dia em que todos os eleitores portugueses irão decidir se haverá ou não despenalização do aborto para as mulheres que o pratiquem até ás 10 semanas, desde que feito em clinicas públicas ou privadas, que garantam a maior e melhor qualidade no que à prestação desse serviço diz respeito.

Pois bem, o debate nacional ainda agora começou e certamente não existirá nenhum tema referendável no País cuja volatilidade dos votos seja tão grande. Neste referendo esqueçam as sondagens, esqueçam as demagogias políticas do costume, porque os eleitores irão exercer o seu direito de voto de acordo com a sua consciência sobre o que é o direito á vida. No entanto essa consciência pode ser facilmente adulterada por imagens que tanto o "SIM" como o "NÃO" podem e vão fazer questão de passar, fazendo com que este referendo em vez de ser um debate ideológico sobre o direito á vida, passe a ser um desenrolar de casos pontuais, cuja prova só os intervenientes directos têm acesso, com o intuito de chocar a sensiblidade de cada eleitor. Espero portanto que a campanha ao nível dor orgãos de comunicação social, não envolva imagens/depoimentos chocantes, porque são completamente desnecessários e desprovidos de valor ideológico. Anseio que em vez disso, se utilizem argumentos que sustentem o valor da opção de cada um dentro da sua própria consciência.

Imagens como a que apresento não ferem susceptibilidades, não emitem opinião, apenas ajudam a perceber a importância e o previlégio do voto a que teremos direito...Neste referendo pior que ter uma má opinião é mesmo não ter opinião!

1 comentário:

Hannah disse...

Esta questão do aborto, é mais uma de muitas que gera polémica e que nunca haverá consenso. Eu não deixo de achar engraçado como todos podem opinar em relação ao corpo da mulher. Se calhar é um comentário um pouco feminista, mas é mesmo da mulher que se fala. É nestas alturas que Portugal mostra o quão conservador é. É preciso também notar os valores que as pessoas invocam quando assumem uma posição perante o aborto (religião, política...). A minha posição em relação a isto é clara e sem tabus. Sou a favor, sim! Porque acho que quando uma criança vem ao mundo não deve ser para sofrer, nem pra ser renegada, nem maltratada, nem abusada, nem tantas outras coisas que acontecem quando não há amor, nem vontade. Mas, e agora será que temos o direito de dizer não? As coisas já se passam à nossa volta em condições precárias e de maneira clandestina, mas isso já não interessa pois não?