quinta-feira, maio 03, 2007

Eleições Presidenciais Francesas - Globalização das políticas!


Pois bem, após uma semana sem que eu encontrasse matéria para que pudesse opinar, eis que num espaço de 24 surgem dois temas interessantes que proporei a debate. O primeiro refere-se á globalização das ideias e das políticas, que foi a principal ideia que retirei aquando da visualização do debate final das Presidências Francesas, sendo que o segundo fica para um próximo post (brevemente) sobre situação da Câmara de Lisboa. Em relação ao segundo tema, aconselho a leitura neste mesmo blog, intitulado Sistema Provoca Terramoto em Lisboa, datado de 28 de Janeiro de 2007.

Neste post referir-me-ei apenas ao tão aguardado debate entre Nicolas Sarkozy (candidato da direita) e Ségolène Royal ( candidato(a) da esquerda).

Pois bem, tratou-se de facto de um debate intenso, sem grande interferência directa dos moderadores e em que os principais moderadores acabaram mesmo por ser os próprios candidatos. Foram muitas as vezes em que colocaram directamente questões um ao outro sem qualquer intervenção dos moderadores. Pessoalmente gosto do estilo, porque torna o debate mais genuíno, e sobretudo porque exige uma maior veracidade de respostas por parte daqueles que se propõem a governar um País, uma vez que não se podem refugiar no estudo exaustivo de questões previamente definidas!

O mais inquietante deste debate, foi que ao ler a tradução do que estava a ser dito, sinceramente só me lembrava de Portugal. Todos os problemas que eles enfrentam e consideram gravíssimos, nós portugueses também enfrentamos, nomeadamente, descontrolo das contas públicas (défice elevado), desemprego, insuficiente crescimento, elevada carga fiscal sobre cidadãos, necessidade de uma reforma da administração pública, problemas no que diz respeito á prestação de cuidados de saúde...enfim tudo isso me fazia lembrar do nosso País e sobretudo do facto de feliz ou infelizmente não sermos somente nós os que somos bafejados pela crise! Congratulo-me sobretudo com o facto do nível de delinquência no nosso País ser substancialmente inferior ao registado em França, tendo sido também esse um dos temas quentes do debate.

Resumindo basicamente o debate, foi possível observar Sarkozy com argumentos, como a diminuição da administração publica francesa, uma vez que segundo ele, França não tem capacidade de pagar a tantos funcionários, o que leva a um endividamento constante do Estado. Para resolver esse problema Sarkozy ao estilo de José Sócrates propõe que por cada 2 funcionários que se reformem apenas 1 entre no Quadro da Administração Pública. Propõe também Sarkozy, uma maior flexibilidade da Lei da obrigatoriedade dos trabalhadores em não fazerem mais de 35 horas semanais, dizendo que quem quer trabalhar mais deve ter esse directo, pelo que incentivaria as horas extraordinárias, como alavanca para a recuperação do poder de compra dos franceses.

Ségolène Royal ao contrário de Sarkozy defende que não existe a necessidade de diminuir o número de funcionários, existe sim a necessidade de uma melhor organização e distribuição dos recursos. Afirmou também claramente que discorda da ideia de Sarkozy do incentivo ás horas extras, uma vez que segundo ela, isso iria originar mais desemprego nos jovens, sendo que os custos dessa operação para o Estado também seriam elevados. No entanto, a sua grande medida estrutural e de fundo é mesmo a Regionalização! Segundo Royal, dinamismo das regiões será a alavanca para a resolução dos grandes problemas que afectam a nação francesa.

Termino dizendo, que o que se debate em França, debate-se em todo o Mundo Ocidental e Civilizado, pelo que aqueles que fizeram as melhores opções, no que diz respeito ao seu enquadramento no contexto social financeiro e cultural do seu país, serão aqueles que estarão na linha da frente para proporcionar uma vida melhor aos seus concidadãos.

2 comentários:

al cardoso disse...

Sobre as eleicoes francesas eles que decidam, embora esteja a fazer forca por um dos candidatos.
Ja quanto a Camara de Lisboa, o Carmona Rodrigues esta a desiludir-me!

Um bom fim de semana e um abraco.

Alexandre Lote disse...

Amigo Al, de facto a mim pouco nao me importa muito kem vença, apesar de tb ter um candidato preferido, no entanto acho que começa a haver uma completa falência de novas ideias,pois as propostas são iguais em muitos países da união europeia, apesar das consições socio-culturais serem substancialmente diferentes em toda a Zona Euro!