terça-feira, abril 17, 2007

Centro-Comercialomania! Será o fim do comércio tradicional?


Esta é a notícia que me fez escrever este post:

"A FDO - Imobiliária, SA, vai investir 400 milhões de euros até 2010, na construção de dez novos centros comerciais em Portugal, anunciou hoje o dirigente da empresa.
Guarda, Caldas da Rainha, Maia, Évora, Setúbal, Covilhã, Felgueiras, Braga, Beja e Gaia são as cidades que receberão os novos investimentos, os quais começarão a funcionar entre 2008 e 2011." (in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=29878).

Pois bem, hoje parece-me importante que nos debrucemos sobre a problemática da ameaça que constitui para o Comércio Tradicional, a construção de centros comerciais, sem qualquer critério geográfico!

Partindo do princípio que são investimentos privados e que como tal são bem vindos, uma vez que aumentam a competitividade dentro do sector, é sobretudo preocupante a meu ver as enormes contrapartidas financeiras recebidas por estas empresas para implementarem esses mesmos centros comerciais nas suas localidades.

Parece-me óbvio que os centros comerciais atraem pessoas às localidades, não só pela sua apelabilidade no que diz respeito á satisfação das necessidades das pessoas como também do pelo facto de constituírem centros de visita do ponto de vista turístico. Pois bem, isto deveria ser em teoria, uma mais-valia em primeiro lugar para as localidades e posteriormente para o comércio tradicional, mas de facto não é!

Não é uma vantagem essencialmente porque é muito difícil ao comerciante tradicional competir no que diz respeito a preços e publicidade com as grandes marcas de renome nacional e internacional.

No entanto, não deveria ser da responsabilidade do poder autárquico promover os seus polos de comércio tradicional? Parece-me óbvio que sim, no entanto jamais os comerciantes poderão estar alheios a este processo. O grande problema do comércio tradicional consiste numa errada interpretação da palavra concorrência! Impera na interpretação do comerciante tradicional a ideia da competição contra alguém, enquanto as empresas/comerciantes enquadrados nos centros comerciais competem de uma forma bem mais agressiva, sendo que, não o fazem contra-ninguém, mas sim com alguém! Esta diferença linguística pode ser muito importante na mente do comprador, uma vez que por exemplo, este sabe que ao ir à Zara, o responsável pela Salsa não ficará minimamente melindrado consigo por ter optado por uma marca que não a sua. Nestes espaços, o responsável tenta é perceber o porquê de determinado cliente ter ido áquela marca e não á sua, o que leva obviamente a uma optimização constante da qualidade. Em suma, a maioria das marcas/comerciantes nos Centros Comerciais têm como foco o cliente enquanto no comércio tradicional o foco são as vendas!

Outro problema do comércio tradicional, está relacionado com a inexistência em muitos casos (como por exemplo na minha localidade, Fornos de Algodres) de uma Associação de Comerciantes, que tenha o intuito de aproximar as pessoas do Comércio Local num âmbito geral e não particular. Ainda há pouco tempo li um post no Blog Aqui D'Algodres intitulado o individualismo Beirão, in http://aquidalgodres.blogspot.com/ . Parece-me que de facto pelas nossas terras o interesse particular continua a dominar sobre o interesse geral, não dando conta os habitantes do interior que estas lutas individuais conduzem ao insucesso colectivo de uma população.

Sem organização e ambição jamais o interior e o comércio tradicional encontrarão o rumo do sucesso!

2 comentários:

al cardoso disse...

Bem haja pela referencia.

Estou completamente de acordo consigo.

Um abraco de amizade.

Magno disse...

Concordo plenamente, sem associativismo e modernização o pequeno comércio, perde clientes e tende a quase desaparecer.....
Abraço, Magno