quarta-feira, abril 11, 2007

A entrevista de Jose Sócrates - Desilusão!

O adjectivo que utilizo para descrever esta entrevista é mesmo desilusão.

Para analisar a entrevista começarei por analisar a performance dos entrevistadores.
Perante dois jornalistas com o nível de Maria Flor Pedroso e Jose Alberto Carvalho, sinceramente esperava mais e melhor. Digo isto, porque se tratam dois dos mais conceituados jornalistas portugueses, sendo um exemplo de qualidade intelectual e independência jornalística. Mas infelizmente e contra tudo o que eu previa, de facto eles não conseguiram sequer ligar-se quanto mais completar-se. Foram algumas as vezes que as câmaras focaram os dois jornalistas a conversarem um com o outro para definirem o rumo da entrevista enquanto o primeiro-ministro falava. Pareceu-me num determinado momento da entrevista, que Jose Sócrates, estaria como que a comer as perguntas dos jornalistas e estes a perderem o norte da entrevista. Só assim se explica, o facto de se ter passado 40 minutos a falar da licenciatura de José Sócrates e 50 minutos de problemas como a Saúde, Economia, sendo que se esqueceram de um tema...EDUCAÇÃO!

Quanto ao primeiro ministro, compreendo perfeitamente, e ao contrário do que tem sido opinado na imprensa generalista que não tenha assumido uma opinião mais precocemente relativamente á polémica da sua licenciatura. Digo isto, porque obviamente, tratando-se de um "julgamento" de carácter, José Sócrates sentiu a necessidade de fazer ele próprio uma investigação a si próprio e aos documentos comprovativos da sua verdade. Falamos de uma verdade que terá acontecido há 11 anos, pelo que obviamente a aquisição de todo o processo documental, com efeito de prova demorou algum tempo a ser adquirido. Pois bem, mas continuo sem perceber os 40 minutos...sinceramente na minha opinião 20 minutos serviriam para ele dizer a sua verdade e declarar o seguinte: tenho aqui todo o processo documental e estou disponível para esclarecer toda a situação numa investigação independente, caso surjam dúvidas mesmo após consulta do mesmo. Teria sido mais simples e na minha opinião eficaz...
Quanto aos restantes temas, a entrevista não passou de mais que uma repetição das sessões ocorridas na Assembleia da República. Para quem acompanha os debates, nada de novo, repetições constantes de frases pronunciadas em plenário, e somente a demonstração de um primeiro-ministro que de facto acredita no que está a fazer. Bem ou mal, ninguém o poderá acusar no futuro de não acreditar no que está a fazer.

Para finalizar, referir-me-ei em breves palavras à reacção do presidente do PSD, Dr. Marques Mendes. Concordo num ponto com o seu discurso, ou seja, se para ele existem duvidas quanto á licenciatura de José Sócrates deve existir uma investigação independente para averiguar da veracidade dos factos apresentados pelo primeiro ministro. Discordo no entanto por completo, quando se por um lado pede uma investigação por outro acaba a sua intervenção julgando o primeiro ministro como alguém que utilizou títulos ilicitamente o que é demonstrativo do seu carácter. Na minha modesta opinião, não faz sentido emitir um julgamento ao mesmo tempo que se pede uma investigação, pelo que julgo despropositada a parte final da intervenção do Dr. Marques Mendes.

Esta é a minha visão da entrevista, pelo que fico á espera das vossas opiniões na zona dos comentários, isto porque se para mim a entrevista foi uma desilusão, teve no entanto o dom de reanimar a discussão e a opinião!

5 comentários:

al cardoso disse...

De facto tambem achei muitissimo tempo a discutir ninharias, quanto ao resto nada de novo!
Continuo convencido que com uma oposicao como esta, o PS vai continuar no governo por uns tempitos, infelizmente digo eu!

Um abraco do Al d'Algodres.

Debaixo do Bulcão disse...

Se me permitem, acrescento este comentário: enquanto andamos distraídos com a discussão dessas ninharias, acontecem coisas verdadeiramente graves, às quais não vejo ser prestada nem metade da atenção.

Exemplo?

O acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, que condenou o Público por suposta ofensa ao «crédito e o bom-nome» da entidade visada numa notícia,(verdadeira, como o próprio STJ reconhece), considerando «irrelevante que o facto divulgado seja ou não verídico».

Isto sim, deixa-me muito preocupado.

Cumprimentos desde Almada!

António Vitorino
vitorinices.blogspot.com

Alexandre Lote disse...

De facto amigo António Vitorino, esse é uma facto gravíssimo que aconteceu recentemente em Portugal e sobre o qual me pronunciarei certamente num futuro post.

Jamais poderá um tribunal reconhecer a noticia como verdadeira e condenar o jornal que a publica!

Cumprimentos

Ultra Beirões disse...

Continua a achar que se discute o acessório, deixando o que nos realmente interessa para segundo plano. É só areia para os nossos olhos!
Abraço

Bruno_Costa disse...

Relativamente à entrevista do Deputado José Sócrates, não poderei opinar muito pois infelizmente não tive oportunidade de a ver. Mas, pude no dia de hoje verificar nos jornais que o que o Alexandre escreveu neste magnifico blog, está de acordos com os "grandes" mestre da escrita :)

Fica registada a minha humilde opinião acerca deste assunto, que é;

1. Se o senhor Deputado (trato-o assim pois é o que ele é com toda a certeza) José Socrates, levou para a entrevista (segundo o que li) toda a documentação, realça a sua convição de que tem a certeza que está de conciência tranquila, o que para nós é bom.

2. Mas.... será que toda a documentação que levou é realmente verdadeira? Ora vejamos, o jornal "Público" de hoje (11.04.2005) , mostra-nos lá um documento razurado, ou melhor, corrigido quanto ao grau académico que possui, pergunto eu... se ele tem a conciencia tranquila porque é que fez isso? (note-se que ambos os documentos só são válidos, depois dele assinar)

3. A verdade seja dita, ele culpou muito a Universidade, e penso que bem, pois não tem culpa que seja "A" ou "B" a leccionar as cadeiras, ou entao que o diploma seja emitido a um Domingo.

4. Sinceramente espero que agora se coloque uma pedra neste assunto, pois o que deve ser feito é o Governo continuar a governar.Espero que ele se lembre dos desempregados e da questão economica do nosso pequeno GRANDE PORTUGAL.


Cumprimentos

"Seu" Bruno Costa

:)